Da curva do meu coração


Chegamos em novembro. Se quando comecei a escrever esse blog eu estava me sentido aberta,desprotegida, cheia de enganos, hoje, eu estou tudo isso ao cubo.

Tenho dedicado os dias a ler, estudar filosofia e buscar músicas e meditações ativas no youtube.Não,não, você não está errado(a) se está pensando -"poxa, deve está com muito tempo de sobra". Sim. Tenho tempo. Escolhi ter tempo,porque afinal de contas correr não me levou muito longe. Então passei a me dedicar nesse ofício de inventar descuidos e "distraimentos".
Moro com 6 meninas-mulheres-andarilhas de si. Todas de países distintos.E com elas me relaciono bem e entre uma louça e outra escuto sobre desamores, pais autoritários e mudanças de rumos.
A mais velha delas- Marília- 41 anos, uruguaia. me conta que saía com um rapaz, escocês, aparentemente, mais jovem que ela. Sempre narrava alguma aventura entre eles e sempre falava das dúvidas e distrações que levavam ela a pensar o quão ridícula estava sendo. E sobre essa possível maneira ridícula de ser, gastava muitas horas contando e detalhando. Vinha de uma família muito autoritário, pai militar, mãe passiva, irmã rebelde. Só há 1 ano,aos 40, teve coragem, segundo ela, de encarar o mundo e sair de casa. e saiu radicalmente, mudou inclusive de país.
Vai à terapia todas as segundas-feiras. Trabalha,estuda. fuma e tem um ótimo gosto musical, de preferência rock 80.
Um vez entrei em seu quarto e estava chorando. chorava e esbraveja contra si insultos e palavras como: estúpida. Era isso. Se cobrava demais. Se devia demais a si mesma.
Apontei para ela o quanto injusta e cruel poderia esta sendo consigo. Será mesmo que não valeria a pena olha um pouco mais cuidadosa para si? Para as atitudes que teve nesse último ano?
Ao mesmo tempo que lhe falava, olhava para mim mesma. -Ei, você falando de injustiça? 
É muito bom quando o universo te dá a oportunidade de ver nos outros, teus próprios defeitos.Dar uma palavra de carinho à minha companheira de quarto, era dar uma palavra a mim mesma.Recompensá-la por se achar tão estúpida,mostrando que a vida podia ser muito mais boba, sem tanto capricho, e que ela havia feito escolhas e portanto era hora de assumir os novos rumos, me dava,também, uma sensação de alívio, por ter a certeza de que as rotas, as direções não são certas ou erradas, são apenas retas ou curvas, por onde o coração desliza, corre, pulsa, descansa, tira a poeira,segue.


Siga o som!




 Buenos Aires , 4 de novembro de 2014


Comentários

Postagens mais visitadas