Um dia em Buenos Aires
Não sei porque mas esses últimos dias tenho lembrado da minha chegada em Baires.
A segunda vez que fui à capital portenha já foi para ficar. O ano era 2013, o mês agosto. Há 4 anos atrás eu aportava na rua México, 2327, bairro Congresso. Tudo novo. Estrada virgem. Muitas pessoas iriam cruzar meu caminho, povoar meu imaginário de amor, tristeza, decepções e vida.
Lembro com muito carinho e cuidado das primeiras pessoas que encontrei. Morar em um hostel, como já citei, te faz perceber a vida sob várias perspectivas, não existe decisão certa ou errada.O que existe é o levantar e o andar de cada pessoa, com suas experiências e oportunidades.
Hoje queria comentar sobre um episódio com Arsénio, um russo de aproximadamente 24 anos. Ele falava português, então era a única pessoa com quem eu podia me comunicar no meu idioma natal. Um dia ele me chamou para tomar vodka e conversar na cozinha. Ali ficamos algumas horas. No início corria tudo bem, era muito curiosa a percepção que ele tinha do Brasil, havia morado no RJ, tínhamos isso em comum. Em determinado momento ele começou a contar alguns fatos históricos da Rússia.Adoro ouvir histórias e ali fiquei. Mas quando ele afirmou que Constantin Stanislavski tinha lutado contra o Cezar Nicolau e derrubado sua dinastia, ou que os EUA iriam ser exterminados dia 31 de outubro, segundo uma previsão da Maçonaria...aí vi que algo estava errado! Fui ficando ali para ver até onde a conversa iria...e rendeu. Teve mãe na Sibéria e encontro com o próprio Satanás. Quando percebi que nada fazia sentido, pelo menos pra mim, me despedi e fui dormir, totalmente chocada! Mas, quem sou eu para questionar as verdades de alguém?😏
Já no meu quarto, sozinha, sou acordada pelo dito cujo do russo. Assustada, pedi que ele se retirasse, foi então que ele me fez a revelação: Isabel, eu sou da Interpol! Gente, juntando um misto de espanto e riso pedi que ele se retirasse e ele seguiu: Vou sair, mas não conta pra ninguém porque tem muita gente ruim que pode querer te matar. ✋ Depois desse dia várias outras demonstrações de perturbação mental vieram à tona.
No dia que fui embora do hostel, de mudança para La Plata, estava eu arrumando meus livros na mala, Arsenio se aproximou e começou um diálogo enquanto folheava meus livros espalhados. era um menino muito inteligente e com conhecimentos cultos, apesar toda a confusão mental. Ele disse que sentiria minha falta, porque eu era a única pessoa que conversava com ele (e olha que já fazia quase um mês não nos falávamos).Me pediu um abraço e me desejou boa sorte. Nos abraçamos. dias depois soube que seus pais já haviam morrido fazia muito tempo e que era segunda vez que ele estava em Baires.
Uma das coisas que mais me emociona na vida é a capacidade de sermos tocados pelo mais "insignificante" encontro. Cada pessoa é um universo a ser explorado.As histórias me intrigam, sejam elas fantasiosas ou não. A vida só vale a pena se inventada e já diria García Marquez: La vida no es la que uno vivió, sino la que uno recuerda, y cómo la recuerda para contarla.
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No dia que fui embora do hostel, de mudança para La Plata, estava eu arrumando meus livros na mala, Arsenio se aproximou e começou um diálogo enquanto folheava meus livros espalhados. era um menino muito inteligente e com conhecimentos cultos, apesar toda a confusão mental. Ele disse que sentiria minha falta, porque eu era a única pessoa que conversava com ele (e olha que já fazia quase um mês não nos falávamos).Me pediu um abraço e me desejou boa sorte. Nos abraçamos. dias depois soube que seus pais já haviam morrido fazia muito tempo e que era segunda vez que ele estava em Baires.
Uma das coisas que mais me emociona na vida é a capacidade de sermos tocados pelo mais "insignificante" encontro. Cada pessoa é um universo a ser explorado.As histórias me intrigam, sejam elas fantasiosas ou não. A vida só vale a pena se inventada e já diria García Marquez: La vida no es la que uno vivió, sino la que uno recuerda, y cómo la recuerda para contarla.
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